O Poeta
Decorria o último quartel do século XVI, quando Camões, então ignorado e abandonado, fechava os olhos pela última vez, e logo, quinze anos passados, vinha a nascer o poeta a quem hoje dedicamos este espaço.
Nasceu a 3 de Fevereiro de 1596 e após uma vida cheia, quer na vertente militar, quer na poética, morria na sua terra natal, (Avô) a 8 de Agosto de 1656.
Referi aqui o nome de Camões propositadamente, porque há nas obras de ambos algo de semelhante, de heróico e patriótico: Se Camões nos Lusíadas relata a epopeia dos descobrimentos de uma forma, diga-se orgulhosa, também Brás Garcia no Viriato Trágico relata o heroísmo do povo lusitano a começar por Viriato até D. João IV seu contemporâneo e amigo.
Se os trabalhos de Camões e de Brás Garcia de Mascarenhas têm algo de semelhante entre si, já o tratamento, ou a homenagem dada á memória de ambos foi bem diferente; Camões foi elevado aos píncaros da glória e considerado um símbolo nacional, com as suas obras a serem editadas até á exaustão, pelo contrário o nome de Brás Garcia foi remetido quase a um silêncio acusador e as suas obras arquivadas numa qualquer prateleira poeirenta.
Aceito os Lusíadas como a maior obra da nossa literatura e Camões seu autor como uma figura grande das nossas letras, mas dói-me ver o desprezo que é dado a esse grande vulto que foi Brás Garcia de Mascarenhas, por parte das autoridades académicas e administrativas deste País, enquanto sobrevalorizam, promovem, (ou têm promovido) muitos poetas de craveira bem menor através da inclusão de alguns dos seus trabalhos nos livros de ensino.
Sabemos que os Lusíadas são compostos por 1.102 estâncias divididas irregularmente por X cantos, mas quantos de nós sabemos que o Viriato Trágico se estende por XX cantos e atinge o número de 2.307 oitavas?
São muitas as razões que me levam a escrever sobre Brás Garcia de Mascarenhas mas aponto apenas algumas. Primeira; porque nasceu ali na Vila de Avô onde a Beira Alta toca a Beira Litoral, nas margens calmas e doces do Alva e onde como ele escreveu: “os montes a fio se perdem nos horizontes” num “labirinto de flores e de rios” a escassos quatro Quilómetros, onde quase três séculos e meio depois nascia este que agora vos escreve. Segunda; porque foi Governador da Vila de Alfaiates, a dois passos do Soito, terra que certamente ele alguma vez pisou, e que é hoje a minha outra terra, onde vivo há quase 47 anos e que era então sua vizinha como hoje é minha a que então foi sua. Terceira; porque foi certamente nas masmorras do Sabugal, onde esteve injustamente detido, que este seu mais ilustre prisioneiro começou a escrever, e porque o considero demasiado esquecido atendendo ao valor que como português soube demonstrar.
Falar de Brás Garcia de Mascarenhas não é fácil, nem tão pouco é suficiente um pequeno artigo num periódico de província, no entanto atrevo-me daqui, a chamar a atenção dos leitores para a vertente poética deste português no sentido de os sensibilizar para uma leitura atenta da sua obra.
Acerca do poeta, a 8 de Agosto de 1958, trezentos e dois anos após a sua morte e aquando da inauguração do seu busto na terra que o viu nascer, dizia o médico e poeta Dr. Vasco de Campos, que eu tive o gosto de conhecer e receber em minha casa no Soito; “Não é só esta terra de honrados pergaminhos que se sente na obrigação de lhe agradecer favores. Também a Pátria lhe deve altos e assinalados serviços.” e mais adiante “ Se a glória lhe acenou, em raros e fugidios momentos, logo a má sorte surgiu, a tolher-lhe os passos e a nublar-lhe o destino”. Este ilustre beirão há pouco desaparecido, num discurso proferido em 21 de Maio de 1972, titulou o Viriato Trágico como a “Bíblia do Lusitanismo” e merece bem este elogio o poeta que tão bem cantou a Beira, a sua “Beira em tudo soberana” de “pátrios montes, ásperos gigantes” de “vales deleitosos e refrigério de cálidos estios”
Transcrevo a seguir alguns versos deste “poeta-soldado” que entendo bastante significativos da sua arte e dos seus sentimentos:
Ao iniciar o canto I e referindo-se a Viriato escreve; Canto um pastor, amores e armas canto/ Canto o raio do monte e da campanha,/ Terror de Itália, do Mundo espanto,/ Glória de Portugal, honra de Hispanha. No inicio do canto XIII e a propósito da Restauração canta: Está de todo já ressuscitada,/ Se ontem quase defunta, monarquia;/ Por tantos lustres e heróis fabricada/ Por Sebastião desfeita em um só dia....
Enquanto Governador de Alfaiates e co garante da Independência Nacional escreveu no canto XV estancia 101; Visto tens, invencível Viriato, / Como estes reinos teus se levantaram./ Sua conservação te não relato, / Por ser um dos que a peitos a tomaram...
Acerca dos seus inimigos, queixava-se na 67 oitava do mesmo canto XV ; Cuidava um tempo, que nas mãos estava/ Dos homens evitarem seus perigos;/ Mas vim a conhecer que me enganava,/ E que tem, quem mais luz, mais inimigos.
Cansado de enganos e “repugnando-lhe o convívio com delatores” conforme as palavras do seu distinto conterrâneo Dr. Vasco de Campos, volta a Avô onde manifesta incontido a satisfação pelo regresso ao lar na estancia 104; Retiro-me a estes vales, a estas fontes,/ A estes frescos jardins e pátrios rios,/ Quando são cheios caço pelos montes/ E neles pesco, quando vão vazios.
Escreve ainda sobre os seus males; Como esta areia, como as estrelas,/ Como as ervas e folhas se não contam/ Assim meus males tantos, como elas/ São, pois não sei o numero a que montam!
O amor que devotou á Pátria está bem patente nesta sua afirmação; /“Quem a troco de vê-la restaurada, por ela morre, vive eternamente:”/
Para além de poeta, patriota e cidadão da mais alta sensibilidade, Brás Garcia de Mascarenhas, não era um português vulgar, vulgar é aquele que o quer manter ignorado ou que contribui para que tal aconteça.
Gostaria de um dia poder voltar ao assunto, veremos! Entretanto deixo o desafio aos estudiosos...
Termino com um agradecimento especial aos autores do livro Sonho Profético; Drs. Manuel Lopes Botelho e Mário Simões Dias que desenterraram um pouco o véu que cobria o poeta.
2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
O nosso concelho!!!
Mais a titulo informativo que pedagógico, e porque muitos dos nossos leitores não terão certamente a oportunidade de aceder de outro modo a todo o tipo de literatura mais completa e elucidativa, propomo-nos enumerar uma serie de dados relativos ao nosso concelho e deixar á sua consideração a analise comparativa com outros concelhos do País, que referimos por interessantes dada a relatividade ou discrepância de alguns números. Cremos não ser inútil, saber qual a nossa situação no contexto Regional e Nacional, daí esta recolha, feita a partir de várias publicações.
Sabemos que o Sabugal pertenceu ao distrito de Castelo Branco até ao ano de 1855, data em que passou a fazer parte do Distrito da Guarda, e que em 1842 tinha apenas 15 freguesias, porém após a extinção de alguns concelhos que absorveu em parte, como Vila do Touro, Sortelha, Vilar Maior, Alfaiates e parte de Castelo Mendo o numero de freguesias aumentou para 58, o que não durou muito, pois devido á confusão e às alterações administrativas verificadas no ultimo quartel do século XIX, foram-lhe novamente retiradas 18, entre as quais Miuzela, Porto de Ovelha, Malhada Sorda e Nave de Haver, ficando composto por 40 que são ainda as actuais.
A população que em 1950 se cifrava em cerca de 33.000 Habitantes, ronda hoje a metade desse valor, situação causada não só pela emigração, mas também pelo facto de estar situado numa região do interior onde a oferta de emprego escasseia.
Desses pouco mais de 16.000 habitantes, metade está concentrado em apenas 9 freguesias, Sabugal, Soito, Bendada, Quadrazais, Vale de Espinho, Sortelha, Casteleiro, Aldeia Velha e Aldeia de Santo António, tantos como nas restantes 31 freguesias.
No total populacional ocupa o 4º lugar no Distrito, depois da Guarda, Seia e Gouveia, mas com uma densidade populacional a rondar os 20 Habitantes Km2, só deixa atrás Almeida com 19 e Figueira com 16, já que Seia com pouco mais de 60 e Gouveia com um pouco menos, ocupam os primeiros lugares, compare-se por exemplo com a Amadora, concelho que alberga 8.000 habitantes por Km2, que é o mesmo que dizer: num espaço igual aquele onde circula um Sabugalense, na Amadora terão que haver-se 400 cidadãos.
É o concelho que ocupa mais superfície a nível Distrital, 827 Km2, e o 14º em termos nacionais, depois de Ponte de Sor com 839, Santiago do Cacém 1059, Serpa 1104, Coruche 1113, Bragança 1136 Beja 1141, Montemor o Novo 1232, Mértola 1279, Évora 1308, Idanha a Nova 1413, Castelo Branco 1440, Alcácer do Sal 1480 e Odemira com 1721 Km2.
Quanto ao número de freguesias, 40, ocupa o 2º lugar em termos de Distrito depois da Guarda com 56, para partilhar o 10º lugar com Amarante, entre mais de trezentas que compõem Portugal, só ultrapassado por Vila Nova de Famalicão e Bragança com 49, Chaves 50, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez 51, Lisboa 53, Guarda 56, Vila Verde 58, Braga 62, Guimarães 73, e Barcelos 91.
É de salientar, apenas por curiosidade, que os concelhos de São João da Madeira, Barrancos, São Brás de Alportel, Alpiarça e Entroncamento são formados por uma só freguesia cada.
Também é neste concelho que se regista uma das maiores diferenças entre o número de eleitores e o de residentes, este ultrapassado por aquele em cerca de 1000. Este fenómeno verifica-se sobretudo nos concelhos de maior emigração, principalmente a Norte e apenas ultrapassados por Lisboa e Porto com números a rondar os 30.000.
Ainda o aspecto físico urbano é de entristecer saber que há mais de 40% de casas fechadas, ou porque os seus proprietários estão ausentes algures no estrangeiro, ou porque simplesmente morreram e não há quem os substitua.
Se há alguns números de que nos podemos orgulhar como habitantes deste extenso concelho, há também alguns que nos devem fazer meditar quanto ao futuro, estamos a envelhecer, os nossos filhos arribam a outras terras em busca daquilo que aqui lhe é negado, e os seus filhos, nossos netos, vão perdendo a ligação às raízes.
Sem querer ser pessimista, não me surpreenderia se ouvisse cantar o Requiem sobre algumas das nossas aldeias, mas certamente ficaria triste, porque incapaz de o evitar.
Sabemos que o Sabugal pertenceu ao distrito de Castelo Branco até ao ano de 1855, data em que passou a fazer parte do Distrito da Guarda, e que em 1842 tinha apenas 15 freguesias, porém após a extinção de alguns concelhos que absorveu em parte, como Vila do Touro, Sortelha, Vilar Maior, Alfaiates e parte de Castelo Mendo o numero de freguesias aumentou para 58, o que não durou muito, pois devido á confusão e às alterações administrativas verificadas no ultimo quartel do século XIX, foram-lhe novamente retiradas 18, entre as quais Miuzela, Porto de Ovelha, Malhada Sorda e Nave de Haver, ficando composto por 40 que são ainda as actuais.
A população que em 1950 se cifrava em cerca de 33.000 Habitantes, ronda hoje a metade desse valor, situação causada não só pela emigração, mas também pelo facto de estar situado numa região do interior onde a oferta de emprego escasseia.
Desses pouco mais de 16.000 habitantes, metade está concentrado em apenas 9 freguesias, Sabugal, Soito, Bendada, Quadrazais, Vale de Espinho, Sortelha, Casteleiro, Aldeia Velha e Aldeia de Santo António, tantos como nas restantes 31 freguesias.
No total populacional ocupa o 4º lugar no Distrito, depois da Guarda, Seia e Gouveia, mas com uma densidade populacional a rondar os 20 Habitantes Km2, só deixa atrás Almeida com 19 e Figueira com 16, já que Seia com pouco mais de 60 e Gouveia com um pouco menos, ocupam os primeiros lugares, compare-se por exemplo com a Amadora, concelho que alberga 8.000 habitantes por Km2, que é o mesmo que dizer: num espaço igual aquele onde circula um Sabugalense, na Amadora terão que haver-se 400 cidadãos.
É o concelho que ocupa mais superfície a nível Distrital, 827 Km2, e o 14º em termos nacionais, depois de Ponte de Sor com 839, Santiago do Cacém 1059, Serpa 1104, Coruche 1113, Bragança 1136 Beja 1141, Montemor o Novo 1232, Mértola 1279, Évora 1308, Idanha a Nova 1413, Castelo Branco 1440, Alcácer do Sal 1480 e Odemira com 1721 Km2.
Quanto ao número de freguesias, 40, ocupa o 2º lugar em termos de Distrito depois da Guarda com 56, para partilhar o 10º lugar com Amarante, entre mais de trezentas que compõem Portugal, só ultrapassado por Vila Nova de Famalicão e Bragança com 49, Chaves 50, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez 51, Lisboa 53, Guarda 56, Vila Verde 58, Braga 62, Guimarães 73, e Barcelos 91.
É de salientar, apenas por curiosidade, que os concelhos de São João da Madeira, Barrancos, São Brás de Alportel, Alpiarça e Entroncamento são formados por uma só freguesia cada.
Também é neste concelho que se regista uma das maiores diferenças entre o número de eleitores e o de residentes, este ultrapassado por aquele em cerca de 1000. Este fenómeno verifica-se sobretudo nos concelhos de maior emigração, principalmente a Norte e apenas ultrapassados por Lisboa e Porto com números a rondar os 30.000.
Ainda o aspecto físico urbano é de entristecer saber que há mais de 40% de casas fechadas, ou porque os seus proprietários estão ausentes algures no estrangeiro, ou porque simplesmente morreram e não há quem os substitua.
Se há alguns números de que nos podemos orgulhar como habitantes deste extenso concelho, há também alguns que nos devem fazer meditar quanto ao futuro, estamos a envelhecer, os nossos filhos arribam a outras terras em busca daquilo que aqui lhe é negado, e os seus filhos, nossos netos, vão perdendo a ligação às raízes.
Sem querer ser pessimista, não me surpreenderia se ouvisse cantar o Requiem sobre algumas das nossas aldeias, mas certamente ficaria triste, porque incapaz de o evitar.
OS INCENDIOS!!!
Os dois maiores valores, com que se pode medir ou avaliar o comportamento de uma sociedade, são o respeito e o medo. Se esses princípios forem ignorados ou banidos da convivência entre as pessoas ou povos, podemos estar no limiar de uma situação caótica em que apenas vale a lei da força, animalesca...ou bélica.
Sem pretender divagar sobre outros assuntos igualmente preocupantes e que ocupariam um número infindável de páginas, atrevo-me hoje a escrever o que penso acerca da vaga de incêndios, diga-se já esperada, que assola e devasta o País um pouco por todo o lado, sem que se vislumbre a mais pequena réstia de esperança numa solução definitiva.
Sei que não há um remédio milagroso que resolva a situação de um dia para o outro, como sei quanto ineficazes têm sido os meios utilizados para por fim a tal flagelo já que quanto mais dinheiro se injecta no combate ao fogo, mais se alimenta o negócio que dele advém, que parece estar constituído ou a tornar-se institucional.
Muitos dos incêndios, são provocados e acelerados pela falta de limpeza das matas, limpeza que os governantes de hoje só não promovem, porque isso lhe faz lembrar o passado, talvez porque no tempo de Salazar não havia fogos, as matas eram limpas periodicamente, ainda que apenas á força braçal, e hoje, apenas por pura demagogia nada do que fez Salazar pode ser copiado, ainda que tenha sido efectivamente positivo.
Com os meios mecânicos, hoje existentes e disponíveis em número mais que suficiente para um trabalho útil, rápido e rentável, a limpeza só não é realizada por meras razões políticas em prejuízo da economia da Nação.
Outro grande número de incêndios tem origem criminosa, e são provocados porque há falta de respeito pelo património e pelas pessoas, e é neste aspecto que do meu ponto de vista, penso que a política de sensibilização seguida, alertando as pessoas para o perigo dos incêndios e para os cuidados a ter para os evitar, falhou, sendo assim, resta como ultima solução a repressão ou a punição para quem comete tais atentados.
A verdade é que os governantes são demasiado liberais em legislar no que toca a muitos dos nossos valores e comportamentos, que quase deixam á mercê da consciência individual de cada um, porém quando toca a arrecadar impostos, usam mão dura e pesada para quem não cumpre, então porque não usam o mesmo método ou principio sensibilizativo neste caso e não deixam o seu cumprimento á livre consciência de cada um? A medida seria justa se compararmos a relativa importância das áreas em questão, mas nós sabemos que os impostos se pagam não por respeito para com um sistema que esbanja continua e inutilmente os milhões do contribuinte, mas sim por medo, medo ao relaxe ou á cobrança coerciva, assim, estão dois valores em questão: o respeito e o medo, e se um não resulta, resulta o outro, logo, é inaceitável a contínua passividade dos responsáveis que teimam em seguir políticas e estratégias provadamente ineficazes e inúteis que acabarão por permitir a destruição do nosso património florestal com as suas desastrosas e talvez fatais consequências.
Se não há respeito e ninguém tem medo, aonde nos levará o futuro?
Agosto de 2000
Sem pretender divagar sobre outros assuntos igualmente preocupantes e que ocupariam um número infindável de páginas, atrevo-me hoje a escrever o que penso acerca da vaga de incêndios, diga-se já esperada, que assola e devasta o País um pouco por todo o lado, sem que se vislumbre a mais pequena réstia de esperança numa solução definitiva.
Sei que não há um remédio milagroso que resolva a situação de um dia para o outro, como sei quanto ineficazes têm sido os meios utilizados para por fim a tal flagelo já que quanto mais dinheiro se injecta no combate ao fogo, mais se alimenta o negócio que dele advém, que parece estar constituído ou a tornar-se institucional.
Muitos dos incêndios, são provocados e acelerados pela falta de limpeza das matas, limpeza que os governantes de hoje só não promovem, porque isso lhe faz lembrar o passado, talvez porque no tempo de Salazar não havia fogos, as matas eram limpas periodicamente, ainda que apenas á força braçal, e hoje, apenas por pura demagogia nada do que fez Salazar pode ser copiado, ainda que tenha sido efectivamente positivo.
Com os meios mecânicos, hoje existentes e disponíveis em número mais que suficiente para um trabalho útil, rápido e rentável, a limpeza só não é realizada por meras razões políticas em prejuízo da economia da Nação.
Outro grande número de incêndios tem origem criminosa, e são provocados porque há falta de respeito pelo património e pelas pessoas, e é neste aspecto que do meu ponto de vista, penso que a política de sensibilização seguida, alertando as pessoas para o perigo dos incêndios e para os cuidados a ter para os evitar, falhou, sendo assim, resta como ultima solução a repressão ou a punição para quem comete tais atentados.
A verdade é que os governantes são demasiado liberais em legislar no que toca a muitos dos nossos valores e comportamentos, que quase deixam á mercê da consciência individual de cada um, porém quando toca a arrecadar impostos, usam mão dura e pesada para quem não cumpre, então porque não usam o mesmo método ou principio sensibilizativo neste caso e não deixam o seu cumprimento á livre consciência de cada um? A medida seria justa se compararmos a relativa importância das áreas em questão, mas nós sabemos que os impostos se pagam não por respeito para com um sistema que esbanja continua e inutilmente os milhões do contribuinte, mas sim por medo, medo ao relaxe ou á cobrança coerciva, assim, estão dois valores em questão: o respeito e o medo, e se um não resulta, resulta o outro, logo, é inaceitável a contínua passividade dos responsáveis que teimam em seguir políticas e estratégias provadamente ineficazes e inúteis que acabarão por permitir a destruição do nosso património florestal com as suas desastrosas e talvez fatais consequências.
Se não há respeito e ninguém tem medo, aonde nos levará o futuro?
Agosto de 2000
Dr. Armando Gonçalves
Homenagem
Não é nem nunca foi meu hábito, por princípio e pelas razões éticas que há muito me norteiam, adular uma pessoa seja ela abastada ou humilde, mas assiste-me o direito de prestar homenagem ou distinguir quem de tal for merecedor, segundo o meu próprio critério e sem alinhar a reboque de quaisquer interesses alheios ou duvidosos.
Não é a posição social ou politica que define a personalidade de um cidadão, mas sim o seu comportamento perante a sociedade e a capacidade com que actua dentro da esfera que lhe está cometida desenvolvendo a sua actividade de acordo com os valores dele esperados.
Apesar do materialismo estar a conquistar cada vez mais adeptos e a ser ignorado o respeito que todo o cidadão deve merecer, há ainda quem por respeito a esse mesmo cidadão, demonstre profissionalismo e espírito de entrega à missão por que optou, não sem alguns sacrifícios e privações de que por vezes nem damos conta mas que estão bem patentes no seu dia-a-dia.
É costume deixarmo-nos conquistar pelos dotes oratórios de um qualquer, sem saber quase nada do seu perfil moral ou humano, e render-lhe elogios imerecidos como se a simpatia de que possa ser portador, e nada mais, fosse o único padrão elegido para justificar a nossa rendição, ao contrário, há pessoas que dedicam a vida inteira ao serviço de uma comunidade mas que por ela são inocente ou deliberadamente esquecidas e subestimadas.
Habitualmente e não sei se por egoísmo se por orgulho, não reconhecemos em vida a valia de personalidades e a quem tardiamente depois de “deixarem de ser” homenageamos como que por vaidade e simplesmente para satisfazer o nosso ego.
A propósito e porque amanhã já pode ser tarde, quero prestar homenagem a duas figuras que embora separadas por cerca de quatro décadas têm em comum o múnus exercido ou a exercer nesta terra, a quem um deu e outro continua a dar, o contributo do saber adquirido e a colocá-lo ao serviço do povo, refiro-me a dois médicos a quem o Soito muito deve; primeiro o Sr. Dr. Armando Gonçalves, chegado ao Soito em 17 de Fevereiro de 1945 e que durante mais de meio século atendeu milhares de pacientes, tanto desta povoação onde residia, como de muitas outras aldeias do concelho, já que atendia os seus doentes também na Vila do Sabugal em consultório que durante largos anos ali manteve aberto.
Não faltarei a verdade se disser que com a sua chegada e mercê do seu trabalho e conhecimentos, diminuiu consideravelmente a mortalidade infantil nesta região e que não apenas por isso, a maioria dos habitantes desta terra têm para com ele uma divida de gratidão que, no meu entender, ainda estão a tempo de saldar, pois cinquenta anos de dedicação a um povo merecem ser comemorados, assim; porque não prestar-lhe um reconhecimento colectivo através da organização de um almoço de homenagem, de preferência organizado por iniciativa dos representantes do povo que foi beneficiado?
É apenas uma sugestão que tenho o direito de propor tal como as entidades referidas têm o direito de ignorar.
Também os inúmeros casos de sucesso profissional, ou até de insucesso que o Dr. Armando teve em mãos durante estas cinco décadas seriam motivo mais que suficiente para que alguém habilitado os pudesse descrever em livro perpetuando assim uma vida que está a esgotar-se no tempo mas que a memória não devia esquecer.
Outra personagem digna de relevo que podemos apelidar de o continuador, é o Sr. Dr. José Serra que vai quase em duas décadas serve os doentes desta Vila numa disponibilidade efectiva nem sempre compreendida por alguns (quem é que agrada a todos?) e que bastas vezes sacrifica as suas horas normais de almoço, e quantas de justo ócio? a favor do atendimento aos doentes sob a sua responsabilidade.
Por último quero dizer que embora do ponto de vista externo, ser médico se nos afigure uma profissão de sonho, não é realmente o que parece, e só quem está inserido nos meandros da actividade ou dela for um pouco conhecedor, pode avaliar o sacrifício que tantas vezes se lhes depara e que são obrigados a enfrentar, pois, a poucas mais profissões é exigido tanto como a um profissional médico.
Dez 2002
Não é nem nunca foi meu hábito, por princípio e pelas razões éticas que há muito me norteiam, adular uma pessoa seja ela abastada ou humilde, mas assiste-me o direito de prestar homenagem ou distinguir quem de tal for merecedor, segundo o meu próprio critério e sem alinhar a reboque de quaisquer interesses alheios ou duvidosos.
Não é a posição social ou politica que define a personalidade de um cidadão, mas sim o seu comportamento perante a sociedade e a capacidade com que actua dentro da esfera que lhe está cometida desenvolvendo a sua actividade de acordo com os valores dele esperados.
Apesar do materialismo estar a conquistar cada vez mais adeptos e a ser ignorado o respeito que todo o cidadão deve merecer, há ainda quem por respeito a esse mesmo cidadão, demonstre profissionalismo e espírito de entrega à missão por que optou, não sem alguns sacrifícios e privações de que por vezes nem damos conta mas que estão bem patentes no seu dia-a-dia.
É costume deixarmo-nos conquistar pelos dotes oratórios de um qualquer, sem saber quase nada do seu perfil moral ou humano, e render-lhe elogios imerecidos como se a simpatia de que possa ser portador, e nada mais, fosse o único padrão elegido para justificar a nossa rendição, ao contrário, há pessoas que dedicam a vida inteira ao serviço de uma comunidade mas que por ela são inocente ou deliberadamente esquecidas e subestimadas.
Habitualmente e não sei se por egoísmo se por orgulho, não reconhecemos em vida a valia de personalidades e a quem tardiamente depois de “deixarem de ser” homenageamos como que por vaidade e simplesmente para satisfazer o nosso ego.
A propósito e porque amanhã já pode ser tarde, quero prestar homenagem a duas figuras que embora separadas por cerca de quatro décadas têm em comum o múnus exercido ou a exercer nesta terra, a quem um deu e outro continua a dar, o contributo do saber adquirido e a colocá-lo ao serviço do povo, refiro-me a dois médicos a quem o Soito muito deve; primeiro o Sr. Dr. Armando Gonçalves, chegado ao Soito em 17 de Fevereiro de 1945 e que durante mais de meio século atendeu milhares de pacientes, tanto desta povoação onde residia, como de muitas outras aldeias do concelho, já que atendia os seus doentes também na Vila do Sabugal em consultório que durante largos anos ali manteve aberto.
Não faltarei a verdade se disser que com a sua chegada e mercê do seu trabalho e conhecimentos, diminuiu consideravelmente a mortalidade infantil nesta região e que não apenas por isso, a maioria dos habitantes desta terra têm para com ele uma divida de gratidão que, no meu entender, ainda estão a tempo de saldar, pois cinquenta anos de dedicação a um povo merecem ser comemorados, assim; porque não prestar-lhe um reconhecimento colectivo através da organização de um almoço de homenagem, de preferência organizado por iniciativa dos representantes do povo que foi beneficiado?
É apenas uma sugestão que tenho o direito de propor tal como as entidades referidas têm o direito de ignorar.
Também os inúmeros casos de sucesso profissional, ou até de insucesso que o Dr. Armando teve em mãos durante estas cinco décadas seriam motivo mais que suficiente para que alguém habilitado os pudesse descrever em livro perpetuando assim uma vida que está a esgotar-se no tempo mas que a memória não devia esquecer.
Outra personagem digna de relevo que podemos apelidar de o continuador, é o Sr. Dr. José Serra que vai quase em duas décadas serve os doentes desta Vila numa disponibilidade efectiva nem sempre compreendida por alguns (quem é que agrada a todos?) e que bastas vezes sacrifica as suas horas normais de almoço, e quantas de justo ócio? a favor do atendimento aos doentes sob a sua responsabilidade.
Por último quero dizer que embora do ponto de vista externo, ser médico se nos afigure uma profissão de sonho, não é realmente o que parece, e só quem está inserido nos meandros da actividade ou dela for um pouco conhecedor, pode avaliar o sacrifício que tantas vezes se lhes depara e que são obrigados a enfrentar, pois, a poucas mais profissões é exigido tanto como a um profissional médico.
Dez 2002
JUSTIÇA....
Toda a gente sabe como a justiça é lenta, como prescrevem milhares de processos e como, muitas vezes, um pequeno delito é sancionado e o seu autor condenado enquanto grandes crimes se arrastam sem solução à vista e os culpados ainda se orgulham dos seus feitos que, contam, explicitamente ou não, com o beneplácito do poder instituído.
Em 1950, creio, não havia montes de processos a ocupar as instalações judiciárias e as sentenças eram pronunciadas num espaço médio muito mais curto do que são hoje e porquê, perguntaremos todos?
O aumento da população, de cerca de 8 para 10 milhões, não é razão aparente para um tal avolumar de processos, embora se saiba que a conjuntura económica, social e comportamental dos cidadãos é bem diferente hoje em relação a pouco mais de meio século atrás, porque se então, o numero de juízes se cifrava em 300, mais 45 desembargadores, sendo 2 do conselho do império colonial, e 23 conselheiros, (estão incluídos os juízes da Madeira e dos Açores) hoje esses números são em média cinco a seis vezes superiores já que temos cerca de 1.800 juízes, (só no Continente) mais de 300 desembargadores e 70 conselheiros, no entanto, as leis pelas quais se regem estes profissionais são na maioria das vezes um impedimento a que se faça justiça mais célere, pois os direitos dos réus ou presumíveis réus são largamente superiores aos direitos dos ofendidos, das vítimas.
Criticamos a justiça, pela sua lentidão e ineficácia, mas é o Estado (os legisladores) o culpado da situação quase caótica a que a justiça está a chegar e na qual uma grande parte do povo já não acredita.
A confusão e desencontro e até imorais leis de um Código Penal que facilita o crime, são a razão da pouca produtividade dos juízes, que nada podem fazer contra as leis que lhe obstruem uma actuação justa e pronta.
Obs. Dados obtidos a partir do Boletim oficial do Ministério da Justiça Nº. 23, 2ª série referente a 1 de Julho de 1951 e do Conselho Superior da Magistratura (2007)
Em 1950, creio, não havia montes de processos a ocupar as instalações judiciárias e as sentenças eram pronunciadas num espaço médio muito mais curto do que são hoje e porquê, perguntaremos todos?
O aumento da população, de cerca de 8 para 10 milhões, não é razão aparente para um tal avolumar de processos, embora se saiba que a conjuntura económica, social e comportamental dos cidadãos é bem diferente hoje em relação a pouco mais de meio século atrás, porque se então, o numero de juízes se cifrava em 300, mais 45 desembargadores, sendo 2 do conselho do império colonial, e 23 conselheiros, (estão incluídos os juízes da Madeira e dos Açores) hoje esses números são em média cinco a seis vezes superiores já que temos cerca de 1.800 juízes, (só no Continente) mais de 300 desembargadores e 70 conselheiros, no entanto, as leis pelas quais se regem estes profissionais são na maioria das vezes um impedimento a que se faça justiça mais célere, pois os direitos dos réus ou presumíveis réus são largamente superiores aos direitos dos ofendidos, das vítimas.
Criticamos a justiça, pela sua lentidão e ineficácia, mas é o Estado (os legisladores) o culpado da situação quase caótica a que a justiça está a chegar e na qual uma grande parte do povo já não acredita.
A confusão e desencontro e até imorais leis de um Código Penal que facilita o crime, são a razão da pouca produtividade dos juízes, que nada podem fazer contra as leis que lhe obstruem uma actuação justa e pronta.
Obs. Dados obtidos a partir do Boletim oficial do Ministério da Justiça Nº. 23, 2ª série referente a 1 de Julho de 1951 e do Conselho Superior da Magistratura (2007)
SER PROFESSOR...HOJE!!!
Não sou professor, nem estou aqui como seu defensor, mas fui aluno numa época em que ser professor era sinónimo de respeito, dignidade, carinho e responsabilidade.
Os professores eram merecedores, por parte dos alunos, dos pais e até do próprio Estado de um sentimento de deferência a que outros profissionais não podiam aspirar e todos reconheciam a dignidade e a relevância do seu papel na sociedade com um misto de apreço e consideração.
Fui aluno de uma professora, que mesmo doente leccionava aos seus alunos da própria cama onde se encontrava, debilitada, mas cumprindo o dever que assumira para com eles, seria isso possível hoje?
Os tempos mudaram e, desde há algumas décadas, principalmente nos últimos anos, o professor passou a ser como que o bombo da festa em que todos batem: alunos, pais ou avós dos alunos e até o próprio patrão, o Estado, com leis que os desmotivam e desconsideram, levando muitos deles a interrogar-se seriamente se é esta a profissão que escolheram e querem seguir.
Acredito que, perante o actual estado do Ensino, muitos docentes renunciariam à sua profissão se encontrassem outra ocupação mais ou menos compatível com as suas qualificações e também não me admiraria se dentro de alguns anos viesse a haver falta de professores.
“O edifício da escola” tal como era aceite e entendido, ruiu, porque o respeito e a autoridade foram dele expulsos levando a que os “valores” descessem a níveis preocupantes bem próximos da anarquia num rápido caminho rumo à degradação do ambiente escolar.
Não é com leis atentatórias nem com polícias à porta das escolas que o Estado vai resolver o problema que ele próprio criou, não é diminuindo ou desclassificando uma das classes mais importantes do país que melhora o ensino.
Há ainda outras condicionantes que limitam, ou neutralizam até, a tarefa do professor: é a Televisão, o oposto do professor, que deseduca e compete com os docentes semeando violência gratuita a qualquer hora do dia e enaltecendo comportamentos eticamente reprováveis que mentes em formação facilmente assimilam como normais.
O futuro de qualquer país são os alunos e quem prepara esses alunos são os tais professores que o Estado desmotiva, logo, a qualidade do futuro pode estar em causa.
É preciso ganhar o respeito e a autoridade, que não deviam ter sido banidos da escola, e devolver aos professores a dignidade e o respeito que a sua missão exige.
Publicado em Dez 2008
Os professores eram merecedores, por parte dos alunos, dos pais e até do próprio Estado de um sentimento de deferência a que outros profissionais não podiam aspirar e todos reconheciam a dignidade e a relevância do seu papel na sociedade com um misto de apreço e consideração.
Fui aluno de uma professora, que mesmo doente leccionava aos seus alunos da própria cama onde se encontrava, debilitada, mas cumprindo o dever que assumira para com eles, seria isso possível hoje?
Os tempos mudaram e, desde há algumas décadas, principalmente nos últimos anos, o professor passou a ser como que o bombo da festa em que todos batem: alunos, pais ou avós dos alunos e até o próprio patrão, o Estado, com leis que os desmotivam e desconsideram, levando muitos deles a interrogar-se seriamente se é esta a profissão que escolheram e querem seguir.
Acredito que, perante o actual estado do Ensino, muitos docentes renunciariam à sua profissão se encontrassem outra ocupação mais ou menos compatível com as suas qualificações e também não me admiraria se dentro de alguns anos viesse a haver falta de professores.
“O edifício da escola” tal como era aceite e entendido, ruiu, porque o respeito e a autoridade foram dele expulsos levando a que os “valores” descessem a níveis preocupantes bem próximos da anarquia num rápido caminho rumo à degradação do ambiente escolar.
Não é com leis atentatórias nem com polícias à porta das escolas que o Estado vai resolver o problema que ele próprio criou, não é diminuindo ou desclassificando uma das classes mais importantes do país que melhora o ensino.
Há ainda outras condicionantes que limitam, ou neutralizam até, a tarefa do professor: é a Televisão, o oposto do professor, que deseduca e compete com os docentes semeando violência gratuita a qualquer hora do dia e enaltecendo comportamentos eticamente reprováveis que mentes em formação facilmente assimilam como normais.
O futuro de qualquer país são os alunos e quem prepara esses alunos são os tais professores que o Estado desmotiva, logo, a qualidade do futuro pode estar em causa.
É preciso ganhar o respeito e a autoridade, que não deviam ter sido banidos da escola, e devolver aos professores a dignidade e o respeito que a sua missão exige.
Publicado em Dez 2008
terça-feira, 16 de março de 2010
Razões...
Não é preciso possuir um título de sociólogo ou comentador político, para se aperceber com clareza que a extrema-direita na CE, está a subir mercê da incompetência de alguns governantes, que enfeudados a um sistema de privilégios e imunidades sob os quais se acobertam, imersos no luxo e na opulência, eles e os acólitos que os rodeiam, a lembrar os reis e os senhores feudais de outras eras, distribuem milhões por quem bem entendem e regateiam tostões para o verdadeiro povo que tratam como se os cidadãos que o compõem fossem de segunda classe e sem perceberem, ou fazerem que não percebem, que não é com o a imposição de sanções que vão impedir a ascensão dessas forças, antes fazendo um exame de consciência ao seu comportamento, descobrir e alterar o que se torna necessário e inadiável, isto se ainda forem a tempo.
A C.E., quase pelas mãos de Portugal, impôs sanções á Áustria como retaliação pela ascensão ao Poder de um partido de extrema-direita, sem que os austríacos houvessem cometido algum crime, mas unicamente porque usaram um direito que lhe foi dado: votar.
Tanto quanto sei, não houve na Áustria quaisquer acontecimentos racistas violentos como houve na Alemanha contra os Turcos, na França e em Espanha já recentemente com os Árabes ou Africanos, então pergunta-se, que critério usa a CE para julgar os seus membros? Será que as palavras são consideradas mais crime do que os factos reais?
A Áustria como país pequeno foi sancionada por nada ter feito, a Jugoslávia cometeu crimes e foi invadida porque não era grande e poderosa, a Rússia tem vindo a cometer atentados bem mais terríveis e vergonhosos, esmagando, matando e destruindo um povo, mas a C.E neste caso, não tem coragem para denunciar tais crimes, que estes sim, foram e são reais, podia perguntar-se: por que leis se rege a Comunidade para julgar?
Há cidadãos que são perseguidos em muitos países, mas as vozes que atacam e condenam alguns desses países, calam-se e toleram as arbitrariedades de outros, num conceito de justiça podre e decadente.
É urgente que os políticos ditos democráticos, parem e meditem nas razões da subida da extrema-direita na Europa, e saibam concluir que são eles os únicos culpados, devido á quase falência das suas ideias, e á incapacidade de pôr travão á corrupção galopante, á droga, aos incêndios, á insegurança dos cidadãos, ao medo, á violência e a outros tipos de tropelias ou chagas sociais a que o povo está sujeito, bem como á negligencia em assegurar a justiça e o direito, que muito deles, dizem ser garantes.
É normal que qualquer doente, cansado de recorrer aos médicos tradicionais e desesperado pela ausência da cura, se volte para bruxos ou curandeiros na esperança de obter melhoras, não por convicção, mas por necessidade de mudança, o mesmo acontece com os cidadãos que desiludidos e cansados de acreditar e sentindo-se enganados, colaboram por vezes para a instauração de maiorias de ideologia inaceitável, por oposição a políticas em que já não acreditam e que não respondem aos seus anseios mais justos.
É verdade que as maiorias nem sempre têm razão, e por vezes surgem, devido ao descontentamento gerado no povo pelo comodismo das forças reinantes, que são incapazes de atender às suas justas pretensões, ocupadas que estão, olhando apenas para si próprias, amigos e afilhados, foi por isso que Hitler subiu ao Poder, e outros tais podem surgir, se os actuais dirigentes mundiais continuarem a olhar só para os seus interesses e comodismos.
A liberdade de expressão é um direito, mas esse direito deve ser acompanhado pelo respeito, pela justiça e pela segurança, caso contrário, não é de todo surpresa, que haja quem seja capaz de trocar a faculdade de poder falar pela garantia de viver em segurança e autoridade.
Não pode, quem é incapaz de manter a autoridade em sua casa, querer impo-la aos outros pela força.
A C.E., quase pelas mãos de Portugal, impôs sanções á Áustria como retaliação pela ascensão ao Poder de um partido de extrema-direita, sem que os austríacos houvessem cometido algum crime, mas unicamente porque usaram um direito que lhe foi dado: votar.
Tanto quanto sei, não houve na Áustria quaisquer acontecimentos racistas violentos como houve na Alemanha contra os Turcos, na França e em Espanha já recentemente com os Árabes ou Africanos, então pergunta-se, que critério usa a CE para julgar os seus membros? Será que as palavras são consideradas mais crime do que os factos reais?
A Áustria como país pequeno foi sancionada por nada ter feito, a Jugoslávia cometeu crimes e foi invadida porque não era grande e poderosa, a Rússia tem vindo a cometer atentados bem mais terríveis e vergonhosos, esmagando, matando e destruindo um povo, mas a C.E neste caso, não tem coragem para denunciar tais crimes, que estes sim, foram e são reais, podia perguntar-se: por que leis se rege a Comunidade para julgar?
Há cidadãos que são perseguidos em muitos países, mas as vozes que atacam e condenam alguns desses países, calam-se e toleram as arbitrariedades de outros, num conceito de justiça podre e decadente.
É urgente que os políticos ditos democráticos, parem e meditem nas razões da subida da extrema-direita na Europa, e saibam concluir que são eles os únicos culpados, devido á quase falência das suas ideias, e á incapacidade de pôr travão á corrupção galopante, á droga, aos incêndios, á insegurança dos cidadãos, ao medo, á violência e a outros tipos de tropelias ou chagas sociais a que o povo está sujeito, bem como á negligencia em assegurar a justiça e o direito, que muito deles, dizem ser garantes.
É normal que qualquer doente, cansado de recorrer aos médicos tradicionais e desesperado pela ausência da cura, se volte para bruxos ou curandeiros na esperança de obter melhoras, não por convicção, mas por necessidade de mudança, o mesmo acontece com os cidadãos que desiludidos e cansados de acreditar e sentindo-se enganados, colaboram por vezes para a instauração de maiorias de ideologia inaceitável, por oposição a políticas em que já não acreditam e que não respondem aos seus anseios mais justos.
É verdade que as maiorias nem sempre têm razão, e por vezes surgem, devido ao descontentamento gerado no povo pelo comodismo das forças reinantes, que são incapazes de atender às suas justas pretensões, ocupadas que estão, olhando apenas para si próprias, amigos e afilhados, foi por isso que Hitler subiu ao Poder, e outros tais podem surgir, se os actuais dirigentes mundiais continuarem a olhar só para os seus interesses e comodismos.
A liberdade de expressão é um direito, mas esse direito deve ser acompanhado pelo respeito, pela justiça e pela segurança, caso contrário, não é de todo surpresa, que haja quem seja capaz de trocar a faculdade de poder falar pela garantia de viver em segurança e autoridade.
Não pode, quem é incapaz de manter a autoridade em sua casa, querer impo-la aos outros pela força.
Subscrever:
Mensagens (Atom)